Devo-vos dizer que nestes dias ando bastante sensível, não é que não o seja – muito pelo contrário – mas ultimamente a minha sensibilidade tem-se notado particularmente mais. Ou seja, ultimamente á minima aparência de sofrimento os meus olhos enchem-se de lágrimas. Na verdade, já antes eu chorava (quem não chora?) mas era mais intimamente, agora choro com quase tudo. O olhar enche-se de lágrimas de dor, que teimam em cair. Ainda ontem, quando a Ana Flores me falou do vídeo abaixo sobre o menino com cancro os meus olhos inundaram-se. Quando, hoje na aula de Inglês vi um vídeo da Unicef tive que me controlar imenso e ontem, comecei mesmo a chorar quando vi uma cena de uma violação no programa da fox, casos arquivados.
Talvez, não se justifique as minhas reacções tão tristes. Até porque como já um dia me disseram, quando queremos ajudar não pudemos ficar tristes, mal. É tal e qual o que se sucede quando vamos a um médico, se estamos doentes, esperamos que ele dê o seu melhor para nos curar, e não que comece a chorar ainda que a nossa doença seja muito grave. Passa-se o mesmo com as pessoas, sei-o bem, quando queremos ajudar alguém não nos podemos entristecer com os seus males, mas sim dar o melhor de nós – o melhor sorriso, o melhor abraço, o melhor carinho – para o ajudar. Essa é, na minha perspectiva, uma das grandes dificuldades de ajudar.
É-me quase impossível, não ficar sentida com o sofrimento dos meus. Afinal, é de notar que somos todos um. Cada um de nós é um bocado de outro. Quando vejo as crianças do Haiti sinto que há uma parte de mim, magoada. Talvez, por haver tanta dor no mundo, talvez por isso tenha andado tão sensível. A verdade é que o que está a acontecer pelo mundo, é para mim um enorme pesadelo. Ontem, quando vi a cena da violação, senti medo por todas as mulheres, sofri por elas. E pensei «como é que alguém pode fazer isto? Especialmente a crianças pequenas?», é uma das mil e quinhentas respostas ás quais não tenho resposta e que, com a maior sinceridade do mundo vos digo, me revolta.
Revolta-me o facto de saber que por dia á pessoas a serem violadas, pessoas a quem o espaço mais íntimo é tirado. Revolta-me saber que, por essas pessoas não há comida, nem dinheiro, nem tão pouco apoio psicológico que as livrem do que sofreram, do que viveram. E, revolta-me ainda mais, quando essas coisas acontecem mais que uma vez á mesma pessoa, igual a uma rotina. Revolta-me o sangue que me fervilha nas veias – o sangue, que devo realçar ser de todos. E, por último o que me revolta mais é quando essas pessoas simplesmente não podem, de todo, falar com alguém. Explorar a sua dor, saber viver (dolorosamente) com ela. Revolta-me que o mundo ainda seja assim, tão carnal.
Mas, como este mundo que por vezes me revolta não se pinta só de uma cor, existem apoios que tentam tornar a vida destas pessoas mais “normal”, se é que a palavra se aplica em algum destes casos. Um desses exemplos é a APAV, Associação Portuguesa do Apoio á Vitima. Esta associação dispõe o seu tempo, o seu trabalho na luta eterna contra a dor gerada pelo vazio de espaço corporal, sentimental, que se criou nas pessoas que sofrem. Para ajudar estas pessoas, para além de se puder tornar voluntário nesta associação, de estar atento ás pessoas á sua volta e qualquer suspeita de, existem várias campanhas a decorrer. Uma dessas campanhas, chama-se “Uma Mão Amiga” onde Parte das vendas do creme "Soft Hands Kind Heart" (creme protector para mãos da loja Body Shop) reverte a favor da APAV, no âmbito de uma campanha internacional de combate ao tráfico de seres humanos. Digo desde já, que o creme cheira mesmo bem, e salvo erro custa 5euros. Vendo assim as coisas, até se torna fácil por uma alegria no coração e ajudar, não é? :)




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